Narrativas curtas, impacto gigante: o fenômeno das novelas verticais e o novo mercado de creators

De olho no celular, a Globo adere ao fenômeno das novelas verticais com microdramas de estrelas globais, redefinindo o futuro da teledramaturgia na era do mobile-first.

O cenário do entretenimento está passando por uma transformação sísmica, e o epicentro dessa mudança é o celular. Impulsionada pelo crescimento exponencial da Creator Economy e pelo hábito de consumo rápido em plataformas como TikTok e Instagram Reels, emerge um fenômeno que está redefinindo a dramaturgia: as novelas verticais (ou microdramas).

A Creator Economy Encontra a Dramaturgia

Hoje, a ideia de que o conteúdo autêntico e serializado, produzido por indivíduos ou pequenos estúdios, é uma potência de audiência. As novelas verticais são a materialização dessa sinergia:

  • Conteúdo Mobile-First: com episódios ultracurtos (geralmente de 1 a 3 minutos), filmados no formato 9:16, essas produções se encaixam perfeitamente na lógica do scroll e do consumo imediato.
  • Novos Vetores de Receita: para criadores independentes e plataformas, o formato abre portas para modelos de monetização híbridos, como publicidade nativa, integrações de marca e até microtransações. Cada visualização e compartilhamento se torna um dado valioso e um ponto de contato repetido.

Adesão da Rede Globo e a Legitimidade do Formato

A força desse movimento é tamanha que até mesmo a tradicional Rede Globo — um dos maiores players de teledramaturgia do mundo — não hesitou em aderir.

A emissora lançou recentemente sua primeira novela vertical, "Tudo Por Uma Segunda Chance", que estreou nas redes sociais TikTok, Instagram, Facebook, X e YouTube. A partir do dia 12 de dezembro, os capítulos também estarão disponíveis no Globoplay. A produção, pensada exclusivamente para o formato vertical e com capítulos curtos (cerca de 2 a 3 minutos), conta com um elenco de atores globais conhecidos, como Jade Picon, Daniel Rangel e Debora Ozório, além de nomes consagrados como Beth Goulart e Marcos Winter.

Debora Ozório, Jade Picon e Daniel Rangel estão em Tudo Por Uma Segunda Chance — Foto: Globo/Fábio Rocha

Essa adesão da Globo não apenas legitima o formato no mercado brasileiro, mas também sinaliza uma reconfiguração estratégica no setor audiovisual. Ao unir a velocidade da linguagem das redes sociais com a força de suas estrelas e a qualidade de produção dos Estúdios Globo, a emissora busca:

  1. Conectar-se com a Geração Z e com o público mobile-first.
  2. Explorar novos canais de distribuição e receita integrada.
  3. Criar um novo modelo de cross-media, utilizando a popularidade das novelas verticais para engajar o público da TV aberta e do streaming.

As novelas verticais não são apenas uma moda; elas representam uma evolução na arte de contar histórias, adaptando a paixão nacional pela dramaturgia ao palco da palma da mão e solidificando a Creator Economy como a nova força motriz do entretenimento.