O selo da verdade: como o Instagram pretende salvar a confiança visual na Era da IA


Adam Mosseri alerta que a IA borrará os limites da realidade e aposta em assinaturas criptográficas para valorizar o conteúdo "feito por humanos".

O CEO do Instagram, Adam Mosseri, foi categórico em sua mais recente declaração sobre o futuro da plataforma: a confiança visual como a conhecemos está prestes a desaparecer. Com a proliferação de imagens e vídeos gerados por Inteligência Artificial que são fáceis de confundir com a realidade, o Instagram está pensando em soluções. A plataforma estuda a implementação de selos de autenticidade e assinaturas criptográficas de captura para identificar o que foi, de fato, registrado por uma câmera física.

Para o ecossistema da Creator Economy, a mensagem é clara: o "caseiro", o "orgânico" e o "registrado agora" passarão de formatos estéticos a ativos de alto valor comercial e de distribuição.

A Morte do "Ver para Crer"

Mosseri reforça que, à medida que a IA generativa se torna popular, o risco de desinformação e de desvalorização do trabalho criativo aumenta. A solução do Instagram não passa apenas por rotular o que é IA, mas por priorizar o que é comprovadamente original.

A plataforma está testando tecnologias que acompanham o arquivo desde o momento do clique na câmera até o feed do usuário. Se o arquivo não tiver essa "certidão de nascimento digital", poderá ser penalizado pelo algoritmo ou receber um aviso de "origem não verificada".
Esta mudança de postura do Instagram força um redirecionamento nas estratégias de marcas e criadores:

  • A Estética do Erro: Vídeos com pequenas imperfeições, ruído ambiente e luz natural ganham autoridade. O conteúdo ultraproduzido, que facilmente pode ser confundido com um prompt de IA, pode sofrer uma crise de ceticismo por parte da audiência.
  • O Valor da Captura Nativa: Criadores que utilizam a câmera do próprio aplicativo ou dispositivos que suportam assinaturas criptográficas de origem terão vantagem competitiva. A prova de presença física torna-se um diferencial de confiança.
  • Marcas e a Transparência: Para as marcas, o desafio será equilibrar o uso de IA para redução de custos com a necessidade de manter uma conexão humana. O público de 2026 valoriza saber que o embaixador da marca está, realmente, segurando o produto.

A Volta às Origens

O diagnóstico de Mosseri aponta para um paradoxo: quanto mais avançada for a tecnologia de simulação, mais valioso será o que não pode ser simulado - a experiência humana em tempo real. No Influent Summit, temos discutido que a influência é sobre conexão, e não há conexão sem confiança.

O Instagram está sinalizando que o futuro da rede não será sobre quem cria a imagem mais perfeita, mas sobre quem consegue provar que o que estamos vendo é, de fato, real.