Sai a ‘Publi’, entra o ‘Brand Partner’: marcas devem trocar quantidade por squad fixos e contratos longos

Sai a ‘Publi’, entra o ‘Brand Partner’: marcas devem trocar quantidade por squad fixos e contratos longos
Por que as marcas estão trocando centenas de posts pontuais por squads fixos de embaixadores com participação nos lucros.
A era das "postagens isoladas" está com os dias contados. Se no começo da década o sucesso era medido por quantos rostos as marcas conseguem ativar simultaneamente, em 2026 (e dos próximos anos) é a profundidade da relação. O mercado de marketing de influência amadureceu e entendeu que o consumidor não compra mais o "anúncio interrompido", mas sim a narrativa contínua, o que chamamos de “Brand Partner”.
Diferente do antigo influenciador de campanha, o parceiro de marca atua como um consultor criativo. Os contratos deixaram de ser de 30 dias e passaram a durar 12, 24 meses ou até tempo indeterminado. Marcas como Ambev, Boticário e grandes fintechs já operam com squads fixos que participam inclusive do desenvolvimento de novos produtos, garantindo que o que chega ao mercado tenha o DNA da comunidade que o criador representa.
O modelo não é novo e já acontecia, por exemplo, no mundo dos esportes. Michael Jordan, maior nome da história do basquete, assinou seu contrato vitalício com a Nike e participou, durante anos, da criação não só de seus produtos, mas de toda a narrativa em torno da venda.
Então como será?
Equity e participação nos lucros: já não é raro ver criadores recebendo parte da remuneração em ações da empresa ou porcentagem direta sobre as vendas da linha que assinam ou divulgam.
First-Party Data: o foco agora é converter a audiência da plataforma (Instagram, TikTok e também YouTube) em dados proprietários (e-mail, CRM, comunidades fechadas). O criador é o canal para essa transição.
Liberdade de co-criação: o briefing rígido há muito tempo deu lugar ao "norte criativo". As marcas entendem que o criador conhece a audiência melhor do que o gerente de marketing.
Essa mudança eleva o nível de profissionalismo exigido. Ser influenciador em 2026 exige visão de negócio, entendimento de métricas de conversão e, acima de tudo, a capacidade de manter uma comunidade engajada por longos períodos, sem perder a autenticidade sob o peso de um contrato corporativo.
O profissional que trabalha em nome da marca também mudou. Precisa escolher com cuidado o perfil que quer atribuir, durante meses ou anos, ao seu produto ou serviço. Buscar não só alcance, mas a relação entre público e marca e a criação de um sentimento de pertencimento dentro de uma comunidade. “Eu quero esse produto porque ele fala sobre o que eu penso e com quem eu me identifico" é uma realidade.
